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Running VS Science

Um blog científico cheio de curiosidades sobre a corrida, conselhos para melhorar a performance e entrevistas fenomenais a casos reais de pessoas comuns que venceram na corrida.

05 de Abril, 2021

COVID-19: o desconfinamento

Celeste Oliveira

Boas notícias para o desporto!!

Vive-se no país o primeiro dia da segunda fase desconfinamento e, com a aberturas dos ginásios e outros espaços desportivos como as piscinas, brilha uma nova luz de esperança para os amantes de desporto, incluindo os amantes de corrida.

A corrida é uma forma de exercício facilmente acessível uma vez que existem requisitos mínimos de equipamento e estrutura desportiva. Oferece vastos benefícios para a saúde, incluindo a diminuição do risco de doenças crónicas e a melhoria da saúde mental, tornando esta forma de exercício um comportamento apelativo para a saúde da população em geral. Além disso, muitos atletas podem optar por treinar em grupos, clubes ou equipas, introduzindo assim um aspeto social na atividade.

A pandemia da COVID-19 impôs o fecho dos espaços desportivos e o fim dos grupos de treino formais e informais e levou ao cancelamento ou adiamento de provas que inevitavelmente resultaram em mudanças no treino de atletas profissionais e amadores.

No entanto, não se sabe ao certo como a pandemia influenciou os comportamentos de treino de corrida, particularmente no que diz respeito ao volume de corrida, intensidade, locais de treino, horários de treino e motivos para participar em atividades de corrida.

Um estudo realizado em vários países, concluiu que a pandemia COVID-19 influenciou os comportamentos dos corredores com o aumento do volume de treino, aumento do número de corridas a ritmo controlado, aumento do número de períodos do dia escolhidos para correr e aumento da distância de corrida. Por outro lado, diminuiu o número de treinos por semana. Os motivos para correr deixaram de ser a participação em competições/corridas e socialização e passar a ser “ocupar o tempo livre”. Aumentaram as atividades a meio do dia (11h-13h) e diminuíram as atividades de manhã cedo ou ao final do dia (5h-7h; 17h-19h) e aumentou substancialmente o número de treinos ao ar livre em virtude dos treinos no interior.

Os resultados variam com o género, a idade e a experiência. Os homens reportaram menos mudanças quando comparado com as mulheres. Em relação à idade, os atletas mais jovens tiveram menos tendência para diminuir a distância de corrida e o número de treinos por semana.

O risco de lesão “por uso excessivo” aumentou durante a pandemia e são frequentemente associadas a erros de treino, tais como corridas principalmente no asfalto e alta exposição semanal a corridas. As restrições impostas localmente resultaram num aumento de 23% no treino exclusivo de corrida ao ar livre entre os participantes, o que aumentou o risco de lesões. Estes fatores devem ainda ser considerados clinicamente uma vez que as exposições em corrida continuam durante o regresso gradual ao funcionamento de rotina

Impacto do estudo para o retomar das atividades:

A tendência para o aumento do volume de corrida, mas com a diminuição da intensidade da corrida, é uma informação crítica a ser considerada pelos treinadores e médicos de medicina desportiva durante a transição de retoma das rotinas normais de treino. O aumento súbito da intensidade do treino de corrida tem sido associado a lesões. Os resultados sugerem que os a diminuição da intensidade treino, pode ter reduzido o número de lesões agudas no período da pandemia. Contudo, existe um potencial de que a reintrodução súbita de treino de alta intensidade possa resultar em risco de lesões agudas.

 

A pandemia COVID-19 influenciou os comportamentos dos corredores e resultou num aumento do volume de treino com uma menor intensidade de treino. As motivações dos corredores para correr em geral diminuíram, e passaram da competição e socialização para a condição física, alívio do stress, e ocupação de tempo. O risco de lesões relacionadas com a corrida foi globalmente mais elevado durante a pandemia para lesões de uso excessivo das extremidades inferiores, em comparação com o ano anterior. Estas conclusões realçam mudanças nos padrões de treino de corrida, motivações, e risco de lesões em corredores adultos e devem ser tidas em conta pelos treinadores e médicos desportivos à medida que as medidas de confinamento vão sendo levantadas.

 

E desse lado, quais foi o impacto da pandemia a nível de treino?

 

Bibliografia: DeJong AF, Fish PN, Hertel J (2021) Running behaviors, motivations, and injury risk during the COVID-19 pandemic: A survey of 1147 runners. PLoS ONE 16(2): e0246300