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Running VS Science

O objetivo deste projeto é incentivar o início ou a progressão neste desporto fantásico que é o Running, e ensinar através da ciência várias questões relacionadas com o mesmo :)

Running VS Science

O objetivo deste projeto é incentivar o início ou a progressão neste desporto fantásico que é o Running, e ensinar através da ciência várias questões relacionadas com o mesmo :)

30
Nov16

#CasosReais - Miriam Martins

Nádia Santos

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Esta semana no #CasosReais, trago-vos mais um exemplo do que é ser uma vencedora e uma guerreira! 

Há dois anos atrás, a Miriam tinha apenas 22 anos e sofreu um acidente de Kart que a deixou quase paraplégica. Não só teve que parar de correr de vez, como também teve que reaprender a andar... As dores, nem se falam... Apesar do acidente, a Miriam nunca desistiu! Afinal, correr era o que a fazia feliz... Hoje, ainda não totalmente recuperada e a precisar de mais uma operação para retirar o titânio, as suas conquistas são mais do que invejáveis! Uma atleta fantástica do Beira-Mar que já conquistou várias provas, nomeadamente Meia-Maratona! 

Conhece já a história desta guerreira! 

 

QUANTO DECIDISTE COMEÇAR A CORRER? O QUE TE MOTIVOU?

Desde que me lembro que adorava correr. Na escola primária eu era a típica miúda que detestava brincar com bonecas. Adorava nos intervalos correr à volta da escola e à chuva (sim não batia muito bem). A corrida sempre fez parte da minha vida. A primeira vez que fiz um corta mato fiquei em primeiro lugar. E era a única coisa que me safava em Ed. Física. A corrida veio quando tive de ir estudar para Coimbra e tive de deixar o ginásio. Precisava de fazer desporto, pois tive anorexia nervosa (cheguei aos 36 kg) e o desporto era uma forma de colmatar as vozes na cabeça. Claro que em Coimbra ganhei hábitos maus (comecei a fumar) e comecei a correr a sério para deixar de fumar, nesta altura eu já estava em Aveiro a estudar mas fumava imenso. Tive um enorme susto no ginásio quando estava a correr na passadeira e deu-me uma dor no coração e cai da passadeira, a partir dai a corrida foi um alicerce para deixar de fumar aos poucos. Depois por curiosidade comecei a medir a distância que fazia nas corridas e descobri que fazia 17 km 3 vezes por semana a ritmos de 4’50/5:00 . a primeira vez que fiz 21 km demorei 1:45 e fiz porque não estava bem emocionalmente nesse dia. A partir daí nunca mais parei...

 

JÁ TINHAS PRATICADO DESPORTO ANTES? SE SIM, QUAL?

Toda a minha vida pratiquei desporto. Sempre fui muito ativa. A anorexia veio reforçar mais o desporto e a necessidade de o fazer. Andava imenso de bicicleta e andava no ginásio. Fazia de tudo.

 

HÁ 2 ANOS ATRÁS (NA ALTURA COM APENAS 22 ANOS), SOFRESTE UM ACIDENTE DE KART QUE TE DEIXOU QUASE PARALÍTICA E TIVESTE QUE SER OPERADA PARA UNIR AS VÉRTEBRAS... PODE-NOS FALAR UM POUCO ACERCA DESTE ACIDENTE?

Foi uma altura muito complicada. Lembro-me de ter saído do kart pelo meu próprio pé. Foram as dores mais insuportáveis algumas vez sentidas. Eu não queria sequer ir ao hospital... Mas fui. Fiz raio-x e não acusou nada, mas após darem-me medicamentos 4 vezes um dos médicos decidiu fazer-me o TAC. A primeira coisa que me disse foi: “a partir deste momento qualquer movimento que faças pode ser nocivo para a tua coluna. Sofreste uma alteração e tens fragmentos a pressionar a medula. “ Não sei explicar a apatia que senti… Fui imobilizada para Coimbra de urgência completamente sedada… O processo foi horrível, a pior pergunta que me faziam era se sentia os pés… Eu sentia mas tinha medo..

 

ONDE FOSTE ARRANJAR FORÇAS PARA VOLTAR?

O que me deu força para voltar foi o facto de ter passado noites em branco com dores horríveis. Tinha de me alimentar através de uma palhinha, não podia fazer as necessidades como uma pessoa normal pois não podia estar de outra forma senão deitada. Tive acessos de raiva no internamento porque queria caminhar e não podia. Tive privada de caminhar durante duas semanas com dores insuportáveis.

 

COMO FOI TODA A FASE DE RECUPERAÇÃO?

Apos ter sido operada (correu tudo bem) tive de reaprender a andar. A primeira vez que o fiz desmaiei… Demorei 5 meses até voltar a correr. Foi uma luta... Andava com um colete para suportar a coluna, perdi imenso peso e durante esses meses em que não podia correr, decidi fazer caminhadas, tal como no início quando comecei a correr. Tive de aprender de novo. A primeira vez que voltei a correr fiz 5 km a 6:min p/km. Mas senti-me feliz e chorei imenso. A partir daí comecei a dar mais importância ao dom de caminhar e correr, eu era uma sortuda por isso e muitas vezes acordava as 6 da manhã para o fazer. Quando me dizem que sou louca por acordar de madrugada digo apenas que prefiro ser louca a relembrar que às 6 da manhã estava deitada numa cama sem saber se voltaria a andar.

 

RECOMEÇASTE A CORRER COM GRANDE ESFORÇO... O QUE CUSTOU MAIS?

Penso que o que me custou mais foi o parar e não regressar. Porém obviamente umas das dificuldades que tenho são as dores que tenho na lombar. Como sabes a corrida tem um enome impacto na coluna, apesar de me doer, as dores do acidente e do pós operatório foram mais custosas, portanto acho que o me custou mais foi ter parado.

 

APESAR DO ACIDENTE, CONSEGUISTE FAZER A TUA PRIMEIRA PROVA UNS MESES DEPOIS... QUE PROVA FOI ESSA? FALA-NOS DO SIGNIFICADO QUE TEVE PARA TI :)

A primeira prova que fiz foram os 10 k da Costa Nova, conhecida como a prova dos 10 km mais rápidos de Portugal. Na altura após o acidente os meus treinos eram focados na velocidade. Não fazia séries, apenas tinha objetivo de baixar o meu tempo nos 10 km e por iniciativa de um amigo meu inscrevi-me na prova da costa. O objetivo eram 45 min, e consegui fazer em 44 minutos. Consegui não sei como, só sei que desde esse momento fiquei com ânsia de melhorar cada vez mais e até agora a minha melhor marca nos 10 km são os 42 minutos.

 

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(Mesmo após o acidente, a Miriam tem conquistado o mundo do running em várias provas)

 

TAMBÉM JÁ FIZESTE MEIA-MARATONA DEPOIS DO ACIDENTE! SENTISTE DIFICULDADES?

Após a corrida da costa, fiz a minha primeira meia maratona em Ovar. Fui desafiada por um colega que infelizmente me deixou sozinha. Decidi fazer porque tinha um background de treinos longos e decidi arriscar. Lembro-me perfeitamente que no fim de semana antes da prova fiz 20 km…Felizmente correu tudo bem. Fui lesionada e choveu imenso (a mudança de tempo é daquelas coisas que afeta as minhas costas.). Fiz 1’38. Para primeira prova longa foi um feito para mim.

 

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(Miriam, dorsal 1484, na Meia Maratona de Ovar após o acidente)

 

APESAR DE TUDO, ÉS UMA EXCELENTE ATLETA, TENS UM RITMO DE FAZER INVEJA E ÉS ATLETA FEDERADA DO BEIRA-MAR! QUAL O SEGREDO DO SUCESSO?

Penso que não haja grandes segredos. Ou uma pessoa gosta ou odeia. Eu adoro correr. Tem dias em que não há vontade, mas após correr sinto-me livre e bem mais feliz se não o tivesse feito. Acho que o segredo é mesmo a paixão e a dedicação que nos entregamos a determiando objetivo.

 

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(Podem seguir os treinos fantásticos da Miriam e o seu estilo de vida através da sua conta instagram @miriam.martins.545)

 

 

COMO SÃO OS TEUS TREINOS SEMANAIS?

Atualmente estou lesionada então tenho feito mais ginásio, no entanto, geralmente faço ginásio 3 x por semana com treino específico para a corrida. Duas vezes faço pista , às terças faço séries longas e à quinta faço curtas. Ao sábado gosto de fazer natação por causa da coluna e quando tenho essa possibilidade. Os domingos são dedicados às provas ou aos treinos longos com os amigos.

 

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(A prova causadora da recente lesão)

 

QUE CONSELHOS DÁS A PESSOAS QUE TENHAM SOFRIDO DUM PROBLEMA IDÊNTICO AO TEU?

Simplesmente não se fiquem. Não somos vítimas das adversidades da vida. Elas servem para nos fortalecer. Para mim o acidente foi uma coisa muito má, mas provei a muita gente que consigo fazer coisas fantásticas. Lutem por vocês porque não há nada melhor que a alegria do movimento e da liberdade que a corrida nos dá. Correr não é só calçar sapatilhas e sair porta fora e correr, correr é bem mais que isso, por ser um desporto de endurance exige mais esforço de nós e muita capacidade mental, se algum dia tiverem uma dificuldade física, abatam-na com a vossa capacidade mental. Nós somos mais fortes do que imaginamos. O importante é nunca desistir.

 

#CasosReais – Nádia Santos – Entrevista a Miriam Martins – Se ela consegue, tu também consegues!