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Running VS Science

You are a product of science You run Running is a gift of science Um blog científico cheio de curiosidades sobre a corrida, conselhos para melhorar a performance e entrevistas fenomenais a casos reais de pessoas comuns que venceram na corrida.

01
Ago17

A Corrida e o Calor

Nádia Santos

 

calor.jpg

 

Chega o verão, chega a tortura dos corredores.

Quem antes treinava às 9/10h da manhã, em pleno agosto recusa-se a correr depois das 07h30. Correr a meio da tarde é quase suicídio! E provas nesta altura do ano... Só mesmo para os mais fortes! :) 

 

Comecei a interrogar-me acerca desta decadência na performance após a minha prova de 15km da Corrida S. João, onde a temperatura rondou os 30ºC. Nessa mesma prova, corri a um ritmo muito mais baixo do que o habitual (e ía com objetivo de RP), caminhei por 3x e ainda me senti mal na meta precisando de ajuda dos paramédicos. Para além disso, com 24 anos, costumo ter os meus batimentos cardíacos entre os 170 bpm no máximo (mesmo em treinos de series, nunca ultrapassam os 180 bpm) e "parva" fiquei quando o meu sensor de batimento cardíaco nesse dia anunciou uma máxima de 200 bpm!!! PANIQUEI! 

 

Decidi então investigar... :) 

 

Sempre que nos exercitamos, o nosso sistema circulatório precisa de efetuar 3 respostas essenciais:

1) Vasodilatação nos músculos ativos e na pele

2) Vasocontrição nos tecidos não ativos

3) Manutenção da pressão arterial 

 

Uma vez que ocorre a vasocontrição nos tecidos não ativos (como os rins e o estomâgo), juntamente com o aumento do ritmo cardíaco, os nossos músculos em uso possuem agora maior quantidade de sangue a ser-lhe fornecida. São então, 3 componentes que funcionam em sintonia. 

O problema, é que treinar em altas temperaturas desencadeia o desequilíbrio destas 3 componentes... Numa situação de treino/prova em excesso de calor, o nosso sistema cardiovascular não consegue conciliar as necessidades da vasodilatação na pele (para arrefecer o corpo) e ao mesmo tempo ainda manter a pressão arterial e a necessidade muscular de receber mais sangue para a realização do exercício. Quando isto acontece, o sistema cardiovascular por sua vez, acaba por optar na manutenção da pressão arterial, ao invés da vasodilatação na pele e nos músculos. Esta escolha, pode causar a chamada HIPERTERMIA. Esta mesma hipertermia, terá influências ao nível do nosso metabolismo, nomeadamente na acumulação de lactato, responsável pela fadiga. 

 

Para além disso, a falta de compensação na vasodilatação nos músculos ativos, juntamente com a desidatração constante (devido à transpiração), causam um aumento do batimento cardíaco em forma de compensação pela falta de oxigenação muscular. No entanto, esta compensação não é suficiente, comprometendo o consumo de oxigénio. 

 

Dessa forma, o aconselhável é o atleta ter sempre em atenção o seu nível de hidratação. Mais água = maior débito cardíaco, aumento do fluxo cardíaco e diminuição da temperatura interna. No entanto, para evitar o aumento da pressão osmótica que causa a "falta de sede", é aconselhável o uso de isotónicos. Estes possuem sais minerais também importantes no nosso metabolismo e que são perdidos durante a transpiração (ver mais aqui: #Suplementação5 - Eletrólitos).

 

Por fim, sabe-se que atletas que estão mais habituados a treinar em altas temperaturas costumam sofrer menos. No entanto, não quer dizer que também não ressintam os efeitos. Dessa forma, os cuidados a ter são gerais: se pretendes treinar ou competir ao calor, mantém-te sempre hidratado, com os níveis de sais minerais controlados e nada de treinar em jejum! Usa sempre protetor solar e proteção na cabeça! No entanto, se tiveres a oportunidade, opta por horas mais frescas para treinar :) 

 

 

 

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