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Running VS Science

You are a product of science You run Running is a gift of science Um blog científico cheio de curiosidades sobre a corrida, conselhos para melhorar a performance e entrevistas fenomenais a casos reais de pessoas comuns que venceram na corrida.

30
Nov16

#CasosReais - Miriam Martins

Nádia Santos

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Esta semana no #CasosReais, trago-vos mais um exemplo do que é ser uma vencedora e uma guerreira! 

Há dois anos atrás, a Miriam tinha apenas 22 anos e sofreu um acidente de Kart que a deixou quase paraplégica. Não só teve que parar de correr de vez, como também teve que reaprender a andar... As dores, nem se falam... Apesar do acidente, a Miriam nunca desistiu! Afinal, correr era o que a fazia feliz... Hoje, ainda não totalmente recuperada e a precisar de mais uma operação para retirar o titânio, as suas conquistas são mais do que invejáveis! Uma atleta fantástica do Beira-Mar que já conquistou várias provas, nomeadamente Meia-Maratona! 

Conhece já a história desta guerreira! 

 

QUANTO DECIDISTE COMEÇAR A CORRER? O QUE TE MOTIVOU?

Desde que me lembro que adorava correr. Na escola primária eu era a típica miúda que detestava brincar com bonecas. Adorava nos intervalos correr à volta da escola e à chuva (sim não batia muito bem). A corrida sempre fez parte da minha vida. A primeira vez que fiz um corta mato fiquei em primeiro lugar. E era a única coisa que me safava em Ed. Física. A corrida veio quando tive de ir estudar para Coimbra e tive de deixar o ginásio. Precisava de fazer desporto, pois tive anorexia nervosa (cheguei aos 36 kg) e o desporto era uma forma de colmatar as vozes na cabeça. Claro que em Coimbra ganhei hábitos maus (comecei a fumar) e comecei a correr a sério para deixar de fumar, nesta altura eu já estava em Aveiro a estudar mas fumava imenso. Tive um enorme susto no ginásio quando estava a correr na passadeira e deu-me uma dor no coração e cai da passadeira, a partir dai a corrida foi um alicerce para deixar de fumar aos poucos. Depois por curiosidade comecei a medir a distância que fazia nas corridas e descobri que fazia 17 km 3 vezes por semana a ritmos de 4’50/5:00 . a primeira vez que fiz 21 km demorei 1:45 e fiz porque não estava bem emocionalmente nesse dia. A partir daí nunca mais parei...

 

JÁ TINHAS PRATICADO DESPORTO ANTES? SE SIM, QUAL?

Toda a minha vida pratiquei desporto. Sempre fui muito ativa. A anorexia veio reforçar mais o desporto e a necessidade de o fazer. Andava imenso de bicicleta e andava no ginásio. Fazia de tudo.

 

HÁ 2 ANOS ATRÁS (NA ALTURA COM APENAS 22 ANOS), SOFRESTE UM ACIDENTE DE KART QUE TE DEIXOU QUASE PARALÍTICA E TIVESTE QUE SER OPERADA PARA UNIR AS VÉRTEBRAS... PODE-NOS FALAR UM POUCO ACERCA DESTE ACIDENTE?

Foi uma altura muito complicada. Lembro-me de ter saído do kart pelo meu próprio pé. Foram as dores mais insuportáveis algumas vez sentidas. Eu não queria sequer ir ao hospital... Mas fui. Fiz raio-x e não acusou nada, mas após darem-me medicamentos 4 vezes um dos médicos decidiu fazer-me o TAC. A primeira coisa que me disse foi: “a partir deste momento qualquer movimento que faças pode ser nocivo para a tua coluna. Sofreste uma alteração e tens fragmentos a pressionar a medula. “ Não sei explicar a apatia que senti… Fui imobilizada para Coimbra de urgência completamente sedada… O processo foi horrível, a pior pergunta que me faziam era se sentia os pés… Eu sentia mas tinha medo..

 

ONDE FOSTE ARRANJAR FORÇAS PARA VOLTAR?

O que me deu força para voltar foi o facto de ter passado noites em branco com dores horríveis. Tinha de me alimentar através de uma palhinha, não podia fazer as necessidades como uma pessoa normal pois não podia estar de outra forma senão deitada. Tive acessos de raiva no internamento porque queria caminhar e não podia. Tive privada de caminhar durante duas semanas com dores insuportáveis.

 

COMO FOI TODA A FASE DE RECUPERAÇÃO?

Apos ter sido operada (correu tudo bem) tive de reaprender a andar. A primeira vez que o fiz desmaiei… Demorei 5 meses até voltar a correr. Foi uma luta... Andava com um colete para suportar a coluna, perdi imenso peso e durante esses meses em que não podia correr, decidi fazer caminhadas, tal como no início quando comecei a correr. Tive de aprender de novo. A primeira vez que voltei a correr fiz 5 km a 6:min p/km. Mas senti-me feliz e chorei imenso. A partir daí comecei a dar mais importância ao dom de caminhar e correr, eu era uma sortuda por isso e muitas vezes acordava as 6 da manhã para o fazer. Quando me dizem que sou louca por acordar de madrugada digo apenas que prefiro ser louca a relembrar que às 6 da manhã estava deitada numa cama sem saber se voltaria a andar.

 

RECOMEÇASTE A CORRER COM GRANDE ESFORÇO... O QUE CUSTOU MAIS?

Penso que o que me custou mais foi o parar e não regressar. Porém obviamente umas das dificuldades que tenho são as dores que tenho na lombar. Como sabes a corrida tem um enome impacto na coluna, apesar de me doer, as dores do acidente e do pós operatório foram mais custosas, portanto acho que o me custou mais foi ter parado.

 

APESAR DO ACIDENTE, CONSEGUISTE FAZER A TUA PRIMEIRA PROVA UNS MESES DEPOIS... QUE PROVA FOI ESSA? FALA-NOS DO SIGNIFICADO QUE TEVE PARA TI :)

A primeira prova que fiz foram os 10 k da Costa Nova, conhecida como a prova dos 10 km mais rápidos de Portugal. Na altura após o acidente os meus treinos eram focados na velocidade. Não fazia séries, apenas tinha objetivo de baixar o meu tempo nos 10 km e por iniciativa de um amigo meu inscrevi-me na prova da costa. O objetivo eram 45 min, e consegui fazer em 44 minutos. Consegui não sei como, só sei que desde esse momento fiquei com ânsia de melhorar cada vez mais e até agora a minha melhor marca nos 10 km são os 42 minutos.

 

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(Mesmo após o acidente, a Miriam tem conquistado o mundo do running em várias provas)

 

TAMBÉM JÁ FIZESTE MEIA-MARATONA DEPOIS DO ACIDENTE! SENTISTE DIFICULDADES?

Após a corrida da costa, fiz a minha primeira meia maratona em Ovar. Fui desafiada por um colega que infelizmente me deixou sozinha. Decidi fazer porque tinha um background de treinos longos e decidi arriscar. Lembro-me perfeitamente que no fim de semana antes da prova fiz 20 km…Felizmente correu tudo bem. Fui lesionada e choveu imenso (a mudança de tempo é daquelas coisas que afeta as minhas costas.). Fiz 1’38. Para primeira prova longa foi um feito para mim.

 

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(Miriam, dorsal 1484, na Meia Maratona de Ovar após o acidente)

 

APESAR DE TUDO, ÉS UMA EXCELENTE ATLETA, TENS UM RITMO DE FAZER INVEJA E ÉS ATLETA FEDERADA DO BEIRA-MAR! QUAL O SEGREDO DO SUCESSO?

Penso que não haja grandes segredos. Ou uma pessoa gosta ou odeia. Eu adoro correr. Tem dias em que não há vontade, mas após correr sinto-me livre e bem mais feliz se não o tivesse feito. Acho que o segredo é mesmo a paixão e a dedicação que nos entregamos a determiando objetivo.

 

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(Podem seguir os treinos fantásticos da Miriam e o seu estilo de vida através da sua conta instagram @miriam.martins.545)

 

 

COMO SÃO OS TEUS TREINOS SEMANAIS?

Atualmente estou lesionada então tenho feito mais ginásio, no entanto, geralmente faço ginásio 3 x por semana com treino específico para a corrida. Duas vezes faço pista , às terças faço séries longas e à quinta faço curtas. Ao sábado gosto de fazer natação por causa da coluna e quando tenho essa possibilidade. Os domingos são dedicados às provas ou aos treinos longos com os amigos.

 

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(A prova causadora da recente lesão)

 

QUE CONSELHOS DÁS A PESSOAS QUE TENHAM SOFRIDO DUM PROBLEMA IDÊNTICO AO TEU?

Simplesmente não se fiquem. Não somos vítimas das adversidades da vida. Elas servem para nos fortalecer. Para mim o acidente foi uma coisa muito má, mas provei a muita gente que consigo fazer coisas fantásticas. Lutem por vocês porque não há nada melhor que a alegria do movimento e da liberdade que a corrida nos dá. Correr não é só calçar sapatilhas e sair porta fora e correr, correr é bem mais que isso, por ser um desporto de endurance exige mais esforço de nós e muita capacidade mental, se algum dia tiverem uma dificuldade física, abatam-na com a vossa capacidade mental. Nós somos mais fortes do que imaginamos. O importante é nunca desistir.

 

#CasosReais – Nádia Santos – Entrevista a Miriam Martins – Se ela consegue, tu também consegues!

27
Nov16

II Trail Running dos Patrimónios Mundiais - A minha primeira experiência em Trail

Nádia Santos

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Boa noite atletas! :) 

Vários seguidores do Running VS Science, sabiam que esta prova de Trail seria a minha primeira e pediram-me um post final sobre o assunto. Aqui fica! :)

 

Participei no II Trail Running dos Patrimónios Mundiais em Vila Nova de Foz Côa devido a um acaso... Sempre pensei em experimentar, mas não tão cedo... No entanto, num dos treinos do Running Espinho, fui uma das duas atletas sorteadas para participação gratuita. E como gosto de desafios, obviamente que aceitei de bom grado :) 

 

O autocarro saiu de Espinho por volta das 06h45 a caminho de V. N Foz Côa. Acordei bastante cedo, eram 05h30! 

Não consegui no entanto dormir durante a viagem de quase 3h, pois maravilhei-me com a paisagem (desde nevoeiro denso, cores de outono nas árvores e até montanhas em neve!). Tentei tirar fotografias para partilhar com vocês, mas nada de jeito ficaram.

 

A chegada aconteceu por volta das 09h30 onde fui imediatamente buscar o meu dorsal e preparar-me para a partida! Curiosamente, não estava muito nervosa como fico nas provas de estrada... Estava digamos... Curiosa :)

 

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O inicío foi logo duro, descidas após chuva em pararelos a escorregar. No entanto, corri em ritmo brando na boa.

Entramos de imediato nos trilhos...

 

Muita terra, muita lama, muita pedra...

Nunca pensei que uma prova fosse tão dolorosa... Numa das descidas, em lama, escorreguei e caí de "rabiosque" no chão! Não me magooei, a queda até foi engraçada :p)

 

15228092_1525438517482683_1624396385_n.jpg(Um local onde escorreguei e caí, mesmo atrás desta atleta)

 

O percurso não podia ser mais lindo... Imagens sobre o Douro maravilhosas, novamente cores de Outono... E alguns aguaceiros no início, mas nada de preocupante :) 

 

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Aos 9km tivemos o abastecimento... 

 

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No geral a prova, para mim, foi muito complicada... Tive dificuldades em descidas íngremes pois causaram-me dores no joelho direito que me obrigaram a ir muito devagar... Subidas, subidas e mais subidas! Subir montanhas!!! 

Pisos em pedras, nomeadamente sobre uma linha de comboio antiga... Em pedra, lama e relva...

 

Chegou uma altura em que só corria em piso regular em terra mais seca ou claro, em estrada! O resto, caminhava...

 

No final precisei de 3h10 para finalizar a prova de 19k ... Se pensarem, faço 15k em estrada em 1h19... Portanto, conseguem perceber a diferença dum tipo de prova para outra...

 

De qualquer das formas, estou orgulhosa de mim! Tive muito espírito de sacríficio, de luta e para além disso sempre bem disposta! Fiz vários vídeos a brincar com a situação xD

 

E... CHEGUEI AO FIM!

 

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(Mais uma medalha para a coleção :p)

 

 O meu feedback...

 

Acho o Trail muito giro e aconselho por vários motivos... 

Primeiro, o espírito de entreajuda é fantástico! Tive o prazer de correr/caminhar com imensa gente sempre puxando uns pelos outros ou ajudando a não cair... E claro, a ajuda fenomenal que o pessoal do BTT Sanguedo me deu, para mim foi algo muito valioso! E agradeço do fundo do coração :)

 

Segundo, as paisagens são MARAVILHOSAS! Lindas... A Natureza no seu melhor... E fazem-nos visitar locais do nossol lindo país que provavelmente não íriamos noutras ocasiões...

 

O convivío é espetacular! Muita galhofa, muita gargalhada...

 

E por último, é giro o terem que vos desafiar a terem a destreza de não cair, colocar os pés nos sítios certos, etc...

 

No entanto... Disseram-me "Vais amar ou odiar!"...

Não é verdade... Eu não amei ... Mas não odiei pelos motivos que dei! 

Simplesmente, não sinto que vá ser uma apaixonada pelo Trail (e a todos os amantes peço desculpa, mas é verdade).

O meu amor está nas provas de estrada... Para mim correr, é na estrada... É na estrada que sinto a adrenalina, o coração a bater rápido de entusiasmo e exitação! Que puxo por mim, que puxo pelos outros! Que quero sempre mais e mais e mais! Que faço SPRINT quando quero! 

Estrada para mim, são provas de corrida ... Trail, provas de destreza! :)

Mais uma vez, é uma mera opinião... E não deixo NUNCA de vos aconselhar EXPERIMENTEM O TRAIL!!!

 

Mas a verdade é esta... Sou e serei uma amante das provas de estrada :) <3 

 

Deixarei vídeos no facebook da página que fiz durante o meu percurso :) 

 

Obrigada a todos pelo vosso apoio!!!

 

 

 

 

 

26
Nov16

Correr Com Anemia - Os tipos de anemia, testemunhos reais de corredores

Nádia Santos

 

 

 

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Depois do sucesso da entrevista da nossa querida Inês Oliveira em #CasosReais - Inês Oliveira, o Running VS Science juntou-se com o Correr com Anemia, num post único sobre os vários tipos de anemia, como conciliar com a corrida e testemunhos reais... 

Para quem não sabe, Dia 26 de Novembro é o Dia da Anemia, sendo esse o motivo de escolha deste Sábado para a publicação deste post.

 

O QUE É A ANEMIA? A CIÊNCIA EXPLICA!

 

Para podermos falar acerca da anemia, temos primeiro que referir que existem vários tipos de anemia, sendo os 3 mais comuns: anemia ferropriva (o caso da Inês); anemia falciforme e talassemia. As três causadas por motivos diferentes... Mas causadoras do mesmo mal: má oxigenação! 

 

Vamos começar por falar um pouco da oxigenação no geral...

 

No nosso sangue possuímos umas determinadas células designadas de hemácias, glóbulos vermelhos ou eritrócitos... Estas, possuem na sua constituição uma proteína muito especial (que já falamos em Correr em altas altitudes) a Hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigénio. Para isso ocorrer, têm que acontecer as seguintes situações:

 

a) A hemoglobina tem que conter na sua estrutura Ferro, uma vez que cada ião Ferro se liga a dois átomos de Oxigénio

b) Tal como em todas as proteínas, esta tem que manter a sua estrutura tridimensional original, caso contrário... Perde a sua função ... 

 

Vamos então agora perceber os vários tipos de anemia.

 

A) Anemia Ferropriva

 

São cerca de 90% dos casos de anemia existentes. Causada pela deficiência de Ferro, a anemia ferropriva priva assim a hemoglobina de se ligar corretamente aos átomos de oxigénio.

As causas podem ser diversas, desde uma alimentação pobre em Ferro, má absorção do ião por parte do organismo, hemorragias, etc.

Os sintomas baseiam-se na fadiga, falta de ar, fraqueza, palidez, tonturas, falta de apetite, entre outros...

 

O tratamento baseia-se na ingestão de comprimidos de sais de Ferro ou em casos extremos de injeção do mesmo via intravenosa ou via muscular. Se a causa for a existência dum parasita, por exemplo, a sua eliminação também é necessária.

 

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Como correr com anemia ferropriva?

 

Inês (23 anos): " Não podemos querer mais do que o corpo permite, mas podemos (e devemos) lutar contra o cansaço que por norma se tende a sentir quando se tem anemia. Há que arranjar motivação e objetivos a curto e longo prazo e manter o foco. Acima de tudo é importante vigiar os níveis de ferro, tomar suplementação de ferro se o médico prescrever e ter uma alimentação bastante cuidada. De resto, leva-se uma vida absolutamente normal, sem problemas maiores. Motivação e força de vontade são sem dúvida as peças fundamentais para se praticar desporto com anemia. Não se faz mais, faz-se menos. ...Mas, faz-se!"

 

B) Talassemia

 

A talassemia é um tipo de doença hereditária recessiva, isto é: para podermos manifestar a doença temos que receber tanto da nossa mãe como do nosso pai, o gene responsável pela mesma.

É caracterizada por uma redução da síntese proteica duma das cadeias da globina (que dá origem à hemoglobina). Dessa forma, pessoas com talassemia têm problemas quantitativos a nível da hemoglobina. Isto é, baixa % desta proteína. 

Estamos a falar de erros associados no DNA do gene do doente que podem ser causados por deleções de ácidos nucleicos ou mutações (ver na figura seguinte)

 

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 (2 tipos de mutações: substituição ou deleção)

 

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 (Para manifestar a doença, ambos os pais têm que dar ao filho o gene responsável pela mesma)

 

Os sintomas são geralmente fadiga, fraqueza, crescimento lento, pele pálida ou amarelada; entre outros.

 

 

 

Como correr com talassemia?

 

Marisa (36 anos): " Na corrida noto que a minha evolução nem sempre é constante e gradual, como gostaria, o que por vezes leva a alguma desmotivação. Há dias em que me sinto melhor e até consigo correr durante algum tempo, a um ritmo satisfatório, mas há outros em que me sinto tão cansada e com tantas dores, que nem consigo correr 1 Km. Quando corro com amigos e me perguntam quantos Km vou fazer, respondo sempre que não sei, pois no meu caso, é sempre uma incógnita. O importante é ter sempre em conta os meus limites e não exigir demasiado de mim. Também é essencial o apoio da família e amigos, que puxam por mim e me ajudam a não desistir dos meus objetivos"

 

C) Anemia Falcifome

 

Ao contrário da talassemia que se caracteriza por uma deficiência quantitativa de hemoglobina, na anemia falciforme a deficiência é qualitativa.

Isto é, trata-se duma doença herediária monogénica (basta uma mutação em apenas um gene) também recessiva. Neste caso em particular, o erro associado ao DNA do gene causa produção anormal da hemoglobina que podem polimerizar e deformar as hemácias, tornando-as numa forma espécie de foice e incapacitando-as de fazer corretamente o transporte de oxigénio.

 

Os sintomas são geralmente fadiga, fraqueza, palidez e em casos graves pode haver formação de coágulos devido à aglomeração de hemácias deformadas. 

 

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(Diferença das hemácias numa situação de anemia falciforme e numa situação normal) 

 

Joana (17 anos): "Não posso dizer que propriamente corro... Porque a fadiga é demasiado grande. Sinto-me sempre fraca, por isso tento caminhar com corrida intercalda... Os médicos falam do transplante de medula, assim como os meus pais... Mas para já, tenho coragem e continuo a tentar correr intercalada com corrida. Tomo hidroxiuréia com supervisão médica. Vou-me safando, não perco a coragem :)" 

 

Para a anemia falsiforme e talassemia, os cientistas já começam a estudar a terapia génica (terapia a nível genético). Esperemos que estas investigações corram pelo melhor para que todos estes jovens, adultos, crianças possam ter uma vida melhor e até mesmo, vencer no desporto... Vencer na corrida :) 

 

DIA DA ANEMIA - 26 DE NOVEMBRO 

RUNNING VS SCIENCE

 

23
Nov16

#CasosReais - Inês Oliveira

Nádia Santos

 

 

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Se a fadiga é o motivo da tua desmotivação, então devias conhecer o #CasosReais desta semana!

A Inês é talvez das maiores fontes de inspiração e das atletas mais corajosas e persistentes que tive o prazer de entrevistar.

Diagnosticada com anemia ferropriva, como o próprio nome indica a Inês tem défice de Ferro no sangue.

Para quem não sabe, o Ferro é um dos principais componentes da hemoglobina (proteína do sangue responsável pelo transporte de oxigénio)... Sem ele, a oxigenação dos tecidos é impossível... E no caso da Inês, complicada! 

A fadiga faz parte do seu dia-a-dia... Correr às vezes é um desafio... Mas a Inês não desiste! A Inês é uma LUTADORA e anda a treinar para regressar aos 10km! 

 

Conhece já a sua história :) 

 

QUANDO COMEÇASTE A CORRER? O QUE TE MOTIVOU?

Comecei a levar a corrida mais seriamente no início de Janeiro de 2016.

Tinha começado uns meses antes a correr, mas não era nada regular nem com nenhum objectivo específico.

Penso que o facto de sempre ter sido fã de desporto me levou a sentir cada vez mais a falta de fazer alguma coisa, de me mexer, de sentir as endorfinas a borbulhar. Sobretudo pela sensação de bem-estar e de dever cumprido.

Apesar de estar num curso trabalhoso (Direito) senti que faltava algo para me cansar (fisicamente) e ajudar a ultrapassar alguns problemas pessoais.

 

JÁ TINHAS PRATICADO ALGUM DESPORTO ANTES? SE SIM, QUAL?

Em pequena era a típica "Maria-Rapaz". Joguei muito futebol, futsal, fui federada em esgrima (embora fosse uma nódoa!), estive na equipa de basquetebol da escola (uma meia dose no meio das gigantes), andei na natação.

E imagine-se...nessa altura, quando era obrigada a correr nas aulas de Ed.Física era um sacrifício. Odiava!

QUANDO COMEÇASTE A SUSPEITAR QUE PODERIAS SOFRER DE ANEMIA? QUE SINTOMAS EXPERIENCIASTE?

Tudo piorou quando começou a época de calor. Meados de Junho, se bem me lembro.

Tinha cada vez menos rendimento na corrida. Cada vez corria menos e cansava-me mais.

Saía de casa e voltava com medo de desmaiar e cheia de tonturas. Foi bastante complicado, tanto fisicamente como psicologicamente.

Uma pessoa às tantas desmotiva por não ver resultados.

Mas nunca parei, até a minha médica me dizer para o fazer e o perigo que corria. Aí teve de ser.

A par disso, tinha falta de apetite. Nunca tinha fome, e era um esforço tremendo para comer.

E quem pensa que é um sintoma que desejava ter para poder fazer a "dieta da sua vida", garanto que não ia gostar de sentir este sintoma. Não é normal não se sentir fome, não é saudável e fazia-me constantemente recordar que algo não estava bem.

Tive também queda de cabelo e a tonalidade da pele tende a ficar mais pálida.

 

NA ALTURA DO TEU PROGNÓSTICO, COMO DESCREVIAS A TUA PERFORMANCE NA CORRIDA?

Em Março fiz a prova mais longa que até agora fiz: 10km.

Em Maio fiz os meus 5km mais rápidos.

Em Junho já quase não tenho registos de fazer sequer corridas com a distância de 5km. Fazia 3km ou menos, porque era o que aguentava e fazia séries, para não ter de sentir todos os dias que queria fazer mais e o corpo respondia cada vez menos.

Penso que dá para ter uma idéia do quão rápido fiquei mal, mas é certo que o facto de ter estado mais calor piorou tudo.

 

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(Inês na Corrida Vitalis de 7km e na TSF Runners, antes e depois do diagnóstico)

 

 

QUE RECOMENDAÇÕES MÉDICAS OBTIVESTE EM RELAÇÃO AOS TREINOS?

Desde o dia que a médica que me segue viu as minhas análises que foi muito directa comigo: Tinha de parar de correr.

Ainda tentei negociar a quilometragem, mas foi escusado. Era Verão e era um perigo correr com tonturas e com falta de ferro no organismo.

Não desejo a ninguém que goste de correr e sobretudo que precise disso para ajudar a sentir-se bem, ouvir que tem de parar.

É duro, ainda para mais quando nem sabemos quando o voltaremos a poder fazer, mas tem de ser.

 

ENTRETANTO VOLTASTE A PODER CORRER..VOLTAR À ESTACA ZERO NÃO É FÁCIL PARA NINGUÉM... COMO SUPERASTE ISSO?

Quando ouvi que podia recomeçar a correr parecia uma miúda a quem deram um grande presente!

Mas...

A resistência estava a zero. Tive de começar novamente com caminhadas alternadas com poucos metros de corrida.

Com força de vontade tudo se consegue e quando a corrida nos faz tão bem, vale a pena passar por todo o processo novamente. Mas custa, claro que sim. ...Há dores musculares, há o querer ver logo os resultados que tínhamos antes...

Aprendi a ouvir o corpo e treinar com base nisso.

(Até acaba por ser giro voltar a bater records novamente! Funciona como um jogo!)

 

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(Alguns treinos da Inês que NUNCA desiste!)

 

 

 

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 (Material pronto para a Corrida Sempre Mulher este mês de 5km)

 

ANEMIA DEVE-SE À FALTA DE FERRO NO SANGUE OU ATÉ MESMO DE HEMOGLOBINA, PROTEÍNA DO SANGUE RESPONSÁVEL PELO TRANSPORTE DE OXIGÉNIO... COMO CONSEGUES CONTROLAR A FADIGA CAUSADA PELA BAIXA OXIGENAÇÃO?

Há vários tipos de anemia, a minha deve-se à falta de ferro no organismo.

Como já disse, exige que se ouça o corpo e os sinais que ele nos dá (e não é assim tão difícil!)

Não posso (nem conseguiria) fazer treinos que passassem de 5km para 8km, por exemplo, ainda que a margem seja pequena. Tem de ser progressivo e lento. Habituar o corpo ao esforço e aprender a respirar bem nas passadas.

Eu própria tenho de ir ganhando confiança aos poucos de modo a saber que ao fim de "x" km's vou estar bem e não com tonturas.

 

NUNCA DESISTISTES DE CORRER... PORQUÊ? O QUE SIGNIFICA O RUNNING PARA TI?

Pensei e penso muitas vezes em parar.

Dizer que nunca o fiz seria mentir.

Houve muita desmotivação quando tive de parar. E até mesmo quando regressei a este Mundo.

Foi difícil voltar a calçar as sapatilhas para só fazer escassos metros a correr.

É difícil sair de casa ao frio e a chover.

 É difícil sair e saber que no final desse dia vou estar com dores musculares.

O fácil seria o ficar em casa e dizer para mim mesma que tenho coisas para estudar e mais que fazer.

Mas sejamos sinceros...já alguém saiu de casa (e mesmo num treino que corre menos bem) e não veio melhor do que foi?!

É por esse sentimento que não desisto. É esse sentimento que não consigo explicar a quem me pergunta porque corro e como tenho tempo para o fazer.

Corro porque, mais que uma "moda" actual, me faz sentir viva, me desafia,  me dá energia para o resto das adversidades e faz até com que possa dar umas "lições" ao meu parceiro de vida, que também adora correr e acha que aguenta mais que eu 😂

 

A TUA PÁGINA DO FACEBOOK “Correr com anemia” É UMA FONTE DE INSIRAÇÃO PARA MUITOS ANÉMICOS QUE DESEJAM CORRER... PORQUE DECIDISTE CRIAR ESTA PÁGINA? DE QUE NOS FALA ELA?

Criei a página na fase em que não podia correr.

Não sou de falar muito deste assunto com os meus amigos, até porque a maior parte não corre e não percebe a dimensão do "problema".

Criei a página para me manter a mim mesma informada; para ver se haveria mais gente na mesma situação que eu e para alertar do quão importante é fazer análises ao sangue com regularidade e estar atentos aos sintomas da anemia.

Tenho tido um feedback bastante positivo e é maravilhoso saber que também eu motivo alguém a correr e a ter hábitos saudáveis.

 

ESTÁS A FAZER ALGUM TIPO DE TRATAMENTO?

Neste momento estou a tomar 10 unidades de suplemento de ferro, por mês, para evitar voltar a ter níveis que já tive.

 

QUE OBJETIVOS, PARA ALÉM DE CONTINUAR A LUTAR, TENS NESTE MUNDO DO RUNNING?

Por etapas:

A curto prazo, voltar a fazer os 10km.

A médio prazo, fazer 15km.

Depois espero fazer a meia-maratona, e quiçá a prova rainha: a maratona! Mas vamos com calma...!

 

 

Obrigada pela oportunidade de, com a minha história, partilhar, incentivar e alertar para os riscos da anemia.

Parabéns pelo teu blog e pela página! Útil e interessante!

 

* Para todos os leitores, aconselho vivamente a seguirem a página Correr com Anemia aqui: https://www.facebook.com/Corrercomanemia/ para seguirem a Inês e motivarem-se com ela* - Nádia 

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P.S - Fiquem atentos pois falarei sobre os vário tipos de anemia no blog e ainda como correr nessas condições. Ciência explicará :) 

 

#CasosReais – Nádia Santos – Entrevista a Inês Oliveira – Se ela consegue, tu também consegues!

16
Nov16

#CasosReais - João Machado

Nádia Santos

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Esta semana no #CasosReais, trago-vos mais um GRANDE exemplo dum atleta maratonista.

O João, para além de ter estado presente na 13ª Maratona do Porto dia 6 de Novembro, ainda abateu 20min do seu recorde pessoal na rainha das corridas de estrada.

 

A sensação de liberdade, o equiilíbrio entre a mente e o corpo e superar-se a si mesmo, são alguns dos motivos que fazem do João um apaixonado pela corrida. 

 

Conhece já um pouco da história deste fantástico atleta que não consegue manter preso o bichinho das provas :)

 

 

HÁ QUANTO TEMPO CORRES? O QUE TE MOTIVOU A COMEÇAR?

Olá Nádia. Antes de mais obrigado por esta oportunidade.
Voltando à pergunta. Corro assiduamente à volta de 3 anos. Como adoro desporto e não consigo estar parado tenho sempre de estar a fazer alguma coisa. Fui jogador federado desde novo e quando deixei o futebol comecei a ficar com uns quilos a mais e então decidi entrar para o ginásio. Os primeiros passos foram dados na passadeira. Como o “meu” ginásio fecha ao mês de Agosto para férias tive de me desenrascar e então decidi começar a dar as minhas corridas na rua e sozinho. Como tenho uma monitora do ginásio que tinha um grupo de corrida, sempre que me via a correr convidava-me para fazer os treinos/corridas com eles. E assim foi. Ao início com muita vergonha, mas lá me fui integrando e sendo cada vez mais assíduo e viciado. Agora não passo sem eles :)

 

JÁ TINHAS PRATICADO ALGUM DESPORTO ANTES? SE SIM, QUAL OU QUAIS?

Sim, como já referi, joguei muitos anos futebol Federado :)

 

PORQUÊ CORRER? O QUE SIGNIFICA O RUNNING PARA TI?

O Running, tal como o exercício físico para mim é já uma forma e estilo de vida. Faz parte de mim.
Eu adoro correr porque gosto de me superar e saber que posso mais e mais. Corro pela sensação de liberdade que temos, e é também uma forma de conseguir equilibrar a mente e o corpo. O stress do dia-a-dia fica para trás. Corro pelos meus amigos, partilhar a estrada, partilhar conhecimentos, fazer novas amizades. Corro também para me manter em forma e não menos importante, corro pela minha saúde. No fundo, sou viciado pela corrida. Seja de que tipo for. Estrada ou Trail :)

 

JÁ PARTICIPASTE EM DIVERSAS PROVAS... QUAIS AS QUE TIVERAM MAIS SIGNIFICADO PARA TI? PORQUE MOTIVOS?

No primeiro ano que comecei a correr acho que fui a todas a quase todas provas que existiam na zona Norte. Era um vício uma adrenalina para mim e era todos os fim-de-semanas :)

As que tiveram mais significado foram:
- Meia Maratona do Porto 2013 por ser a minha primeira prova. É sempre especial :) 
- São Silvestre do Porto (o ambiente é brutal e por ser na altura do ano que é).
- Meia Maratona de Braga. Correr na minha cidade e sentir o apoio dos meus amigos durante a mesma.
- Maratona. Prova das provas. Onde levamos o nosso corpo ao limite e desafiamo-nos a nós próprios.

 

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(João na meia-maratona de Braga e na S. Silvestre do Porto, respetivamente)

 

 

PARTICIPASTE RECENTEMENTE NA 13ª MARATONA DO PORTO, DIA 6 DE NOVEMBRO ONDE CONSEGUISTE ABATER 20MIN DO TEU RECORD PESSOAL E ACABAR A PROVA EM 3h15min! COMO FOI A GESTÃO DO ESFORÇO AO LONGO DA PROVA?

Deixa-me começar por falar da Maratona do ano passado. Além de uma má preparação, durante a prova cometi algumas asneiras (como começar muito rápido, alterar o ritmo, não me hidratei corretamente). Logo este ano meti na cabeça que ia ser diferente. De todas as Maratonas esta foi a que melhor me preparei. Foram 3 meses de muito foco, determinação, esforço e dedicação. O objetivo estava claro. Melhorar o meu tempo. No dia da prova estava confiante e o tempo ajudava (não estava muito calor). Foi também muito importante e essencial durante os primeiros 30 km a companhia do meu amigo Turbulento Carlos Fernandes que me ia controlando (não me deixando acelerar muito e ao mesmo tempo ia controlando o ritmo para termos uma boa gestão do esforço). A partir dos 30 Km como o meu corpo dava sinais positivos imprimi um ritmo mais forte e só parei na meta :).

 

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(Algumas fotografias do João na Maratona do Porto 2016)

 

 

O QUE CUSTOU MAIS E O QUE CUSTOU MENOS?

O que mais custou foram os últimos 10 quilómetros, que foi quando imprimi um ritmo mais forte e fiquei sozinho. O medo de ter arrancado muito cedo e de quebrar antes de chegar à meta passou pela minha cabeça. O mais fácil. Os últimos 100 metros. Depois de tantas passadas dores e sacrifícios cruzar aquela linha é um sentimento único no Mundo.

 

QUAL O TEU FEEDBACK ACERCA DESTA PROVA? DESDE ORGANIZAÇÃO, PERCURSOS... TUDO!

Falando pessoalmente, eu adoro provas da “Run Porto”. Eles transpiram qualidade e profissionalismo. Relativamente à Maratona do Porto é das provas mais lindas que pode existir.
A paisagem (na margem do Douro, na ribeira do Porto e em Vila Nova de Gaia) são fenomenais. Depois o público é entusiasta emocionante e incansável no apoio aos atletas.

 

COMO SÃO OS TEUS TREINOS SEMANAIS?

Os meus treinos são sempre repartidos entre o ginásio e estrada.

Ginásio à Segunda, Terça, Quinta e Sexta. Quarta e Domingo é dedicado apenas à corrida. Sábado dia de descanso. No ginásio reparto sempre o tempo entre Cardio e Musculação.

A minha semana costuma ser a seguinte:
Segunda : Aula de Cycling e ao fim treino de Braços
Terça: Aula de Crossfit e depois treino de Pernas.
Quarta: Corrida em estrada. Sempre à volta de 10/15 quilómetros.
Quinta: Aula de Cycling e depois treino de Peito
Sexta: Aula de cycling e depois um treino em que foco-me mais nos abdominais.

 

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COMO RECUPERAS DEPOIS DUMA PROVA DESTAS?

Descanso, e uma boa alimentação. Acho isso essencial.
Quando me sinto mais fastigado costumo  também fazer uma massagem.

 

TOMAS SUPLEMENTAÇÃO? SE SIM, O QUÊ?

Sim, mas apenas o essencial e sempre com acompanhamento. Tomar suplementos só por tomar nunca o faço e até pode ser prejudicial. Neste momento estou a tomar Omega 3, ZMAB6 e Whey. Não posso deixar de fazer referência há minha “monitora” @cati3814 por me acompanhar e me aconselhar neste processo. Sem ela isto não era possível.

 

SABEMOS QUE CORRES COM UM GRUPO DE CORRIDA, OS CHAMADOS “TURBULENTOS”... QUE VANTAGENS TROUXE PARA TI INTEGRAR NESTE GRUPO? FALA-NOS UM POUCO ACERCA DE VOCÊS...

Sim, é verdade. Entrei para os Turbulentos há cerca de 1 ano e foi a melhor coisa que me aconteceu. Os Turbulentos é um grupo de pessoas que começou a correr regularmente. Com o tempo foram criando uma camaradagem fantástica e com essa prática regular da corrida incentivou o grupo a participar em algumas corridas populares. A participação nestes eventos trouxe uma nova dinâmica ao grupo, que a partir dessa altura os seus elementos para além de se reunirem para correr também se começaram a organizar para participar nas provas populares de atletismo que se realizavam em Braga e por todo o País.

 

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(João com os Turbulentos após um excelente treino!) 

 

QUAIS OS OBJETIVOS FUTUROS? 

Os meus objetivos passam por dia a dia prova a prova superar o meu “eu”. Fazer uma meia maratona ou Maratona no estrangeiro também está nos meus planos :)

 

#CasosReais – Nádia Santos – Entrevista a João Machado – Se ele consegue, tu também consegues!

13
Nov16

#Lesões3 - Condromalácia Patelar

Nádia Santos

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A terceira lesão escolhida para esta rubrica é a condromalácia patelar, uma espécie de degeneração da cartilagem. 

 

É uma lesão muito comum em jogadores de futebol, de ténis, ciclistas e corredores. 

 

Sintomas:

- Inchaço por baixo da rótula do jeolho

- Dor constante no meio do joelho

- Dor no joelho durante a corrida ou a subir e descer escadas

 

Mas afinal o que é ao certo a condromalácia patelar e qual a causa?

Trata-se duma patologia crónica degenrativa da cartilagem e a causa certa ainda é desconhecida, no entanto credita-se que esteja ligada a fatores anatómicos, histológicos e fisiológicos que resultam no enfraquecimento e amolecimento da cartilagem envolvida. No entanto, o fator mais comum é o traumatismo crónico causados por pancadas ou por fricções entre a patela e o sulco patelar do fêmur que pode ser devido à prática inadequada de atividade física. 

 

 

Sabe-se também que existem vários graus de condromalácia patelar: 

I - amolecimento da cartilagem e edema

II - fragmentação de cartilagem ou fissuras com diâmetro < 1,3 cm diâmetro

III - fragmentação ou fissuras com diâmetro > 1,3 cm

IV - erosão ou perda completa da cartilagem articular, com exposição do osso subcondral

 

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(O desgaste da cartilagem pode trazer sérios problemas ao osso do fémur) 

 

Tratamento: 

 

A fisioterapia é um ótimo aliado para o tratamento da condromalácia patelar, uma vez que o fortalecimento muscular pois fortalece a cartilagem, deixando-a mais resistente aos possíveis desgastes, para além de que melhora a estabilidade do joelho. O tipo de trabalho a fazer na fisioterapia depende do caso em questão podendo variar entre:  reeducação de movimentos, corridas e outros gestos desportivos; técnicas de liberação manual do tecido; técnicas articulares manuais e orientações acerca das atividades e sobrecargas na patela.

 

É MUITO IMPORTANTE QUE durante o tratamento não sobrecarregar o joelho, fazendo-o descansar.

Para prevenir, usar sapatilhas com bons amortecimentos, alongar e aquecer bem e ainda tentar evitar saltos excessivos. 

 

 

 

 

09
Nov16

#CasosReais - Andreia Cristina

Nádia Santos

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Esta semana no #CasosReais parece um daqueles filmes de super-heróis! Porquê? Porque não vão acreditar nas conquistas da Andreia neste último ano ... 

 

 

O que começou com umas caminhadas, evoluiu para vários tipos de provas, nomeadamente provas de 10km, Trails, Meia-Maratona e... A GRANDE 13ª MARATONA DO PORTO!!!

Queres saber como é que ela conseguiu?

 

 

 

 

Espreita já a história desta atleta fantástica :) 

 

 

 

 

COMEÇASTE NO MUNDO DO RUNNING COM AS CAMINHADAS... QUANDO DECIDISTE QUE DEVERIAS COMEÇAR A DEDICAR-TE AO DESPORTO? O QUE TE MOTIVOU?

Comecei a caminhar por lazer, descontração... Para arejar... Foi algo que fisicamente e psicologicamente me soube muito bem. Entretanto comecei a seguir a página do Running Espinho e surgiu o convite para experimentar. E lá fui eu =p ... O primeiro treino foi uma caminhada, a seguir fui parar aos 5 km...Podia nem precisar mas rapidamente passei para os 10km...

A minha motivação principal foi o querer um bem estar físico... Ter algum tempo só para mim e tratar de mim... :)

 

QUANDO COMEÇASTE A CORRER A SÉRIO? COMO FOI A TRANSIÇÃO?

Comecei a caminhar em fevereiro do ano passado... Caminhadas diárias de 8 a 10 km. Em setembro, como já referi, por convite decidi experimentar o Running Espinho.

A transição foi muito rápida e a evolução também... Claro que isto se deve a treinos assíduos e claro ... À paixão :)

 

TIVESTE RECENTEMENTE, DIA 6 DE NOVEMBRO, NOS 42 KM DO PORTO... COMO FORAM OS TEUS TREINOS DE PREPARAÇÃO?

Para a maratona fiz vários treinos longos.. Fui aumentando os km para preparar as minhas pernas...Uma boa alimentação também foi essencial e claro, descanso! Também me prerarei a nível psicológico com ajuda da minha equipa...

 

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(Andreia com outras atletas do Running Espinho em cima e com os Btt Sanguedo em baixo - As duas equipas ao qual pertence e treina habitualmente)

 

QUAIS  ERAM OS OBJETIVOS PARA ESTA PROVA?

O principal objetivo era conseguir visualizar chegar ao fim! Como todos os atletas, é uma prova que de certo modo tenho receio...São 42 km... Muitas horas a correr...

 

E OS OBJETIVOS FORAM ALCANÇADOS? :)

A prova de domingo para mim foi uma vitória sem dúvida!  Infelizmente não consegui desfrutar da forma que pretendia...A partir do km 25 o meu joelho esquerdo começou a doer...Tive umas dores brutais tive de abrandar...Mas com muita persistência consegui chegar ao fim...Alternei a corrida com caminhada como me era possível...Tive o apoio da minha equipa que me acompanhou em parte do percurso, o qual ajudou muito...

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(Andreia durante a maratona em cima e em baixo a merecida meadalha)

 

E O FEEDBACK DESTA PROVA QUAL É?

A prova ao meu ver é uma prova boa, rolante... Mas com demasiados paralelos! Foi isso que me lesionou... Mas de resto foi fantástico! Paisagem maravilhosa, muita diversão, boa disposição de todos os participantes... As ruas cheias de pessoas a apoiar...Lindo mesmo e a repetir sem dúvida! Aliás fica aqui o convite para ti ... Vamos?...

 

SOUBEMOS TAMBÉM QUE COSTUMAS APOSTAR EM TRAILS... FALA-NOS UM POUCO DESTE TIPO DE PROVAS... O QUE MAIS TE AGRADA NELAS? O QUE MAIS CUSTA?

Sem dúvida o trail vai ser sempre a minha primeira escolha! É aventura, o desconhecido... não existe monotonia. É super divertido! O ambiente que nos rodeia é fascinante, o companheirismo é fantástico!! Os cheiros da lama...os rios.. Ui!! De mais mesmo :D .

O trail acaba por exigir mais de ti fisicamente, o que me agrada. Tenho é muita pena de não ter mais tempo para me dedicar mais...

 

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PRATICAS MAIS ALGUM DESPORTO PARA COMPLEMENTAR O RUNNING? SE SIM, QUAL?

Sou uma pessoa muito divertida e por isso a dança fascina-me! Sempre que posso prático aulas de Zumba! Também já fiz CrossFit e neste momento tenho tentado ir ao ginásio. Mas prefiro sempre aulas de grupo...

 

ALGUMA VEZ SOFRESTE DE ALGUMA LESÃO DURANTE ESTE ÚLTIMO ANO?

Sim. Em dezembro do ano passado na preparação da São Silvestre de Espinho tive uma inflamação no tendão de Aquiles.

 

COMO ARRANJAS TEMPO PARA TREINAR, CONQUISTAR NESTE MUNDO E AO MESMO TEMPO DEDICARES-TE À FAMÍLIA, AMIGOS, TRABALHO, ETC.?

Não é fácil conseguir conciliar família,  trabalho, lazer...Temos que ter mt apoio! Mas tenho a sorte de ter um horário que me permite treinar sem interferir com a minha rotina familiar...No período da escola é muito difícil fazer treinos noturnos... Mas sempre que me é possível vou...

 

ALGUM CONSELHO PARA QUEM AINDA ESTÁ A COMEÇAR?

Desfrutar de corrida sem exageros... O nosso corpo têm de evoluir naturalmente sem cair no exagero...

 

O QUE GOSTARIAS DE VER FALADO NO BLOG DO RUNNING VS SCIENCE?

Sinceramente Nádia, acho que consegues chegar aos temas todos ... Continua assim :)

 

 

#CasosReais – Nádia Santos – Entrevista a Andreia Cristina – Se ela consegue, tu também consegues!

 

 

 

 

 

 

 

02
Nov16

Correr em altas altitudes? A ciência explica porquê

Nádia Santos

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Provavelmente já terão ouvido falar de casos de atletas que em alturas pré-provas se isolam em locais de altas altitudes onde treinam até ao dia D, dando como justificação um melhoramento da capacidade respiratória e assim um melhor rendimento na prova.

Outro caso também já conhecido, é por exemplo o de alguns jogadores de futebol, que inclusive já apareceram em treinos com máscaras que dizem simular altas altitudes.

 

Mas afinal, de que forma é que treinar em altitudes melhora o rendimento dos atletas? Existe algum facto científico?

Sim, existe... 

 

Vamos entender então um pouco de ciência! 

 

Como sabem, os nossos eritrócitos (glóbulos vermelhos ou hemácias), são células sanguíneas responsáveis pelo transporte de oxigénio no nosso organismo... Isto acontece, porque possuem umas proteínas muito especiais designadas de hemoglobinas, responsáveis pela ligação ao oxigénio e consequentemente pela sua libertação nos tecidos. 

 

hemoglobina myweb uga edu leg.jpg(Estrutura química da hemoglobina, presente nas hemácias)

 

A hemoglobina, por sua vez, nem sempre possui a mesma afinidade para o oxigénio. Porquê? Porque podem existir outros ligandos que também se liguem à mesma, diminuindo a afinidade do oxigénio. É o caso dum composto chamado 2,3-bisfosfoglicerato (BPG).

 

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(Formação do BPG, que advém do metabolismo da glicose... A sua quantidade aumenta em condições de baixa pressão de oxigénio ambiental) 

 

Quando as concentrações de BPG são elevadas, a afinidade para o oxigénio por parte da hemoglobina é muito menor... Logo, a libertação do mesmo para os tecidos é mais eficiente (digamos que a hemoglobina "não gosta de ficar agarrada ao oxigénio e por isso liberta-a").

 

 

Ora, quando estamos em altas altitudes, a pressão parcial de oxigénio é mais baixa e o que o nosso organismo tenta fazer é compensar com uma maior libertação de oxigénio nos tecidos. Para isso o que faz? Aumenta as concentrações de BPG e assim a afinidade para o oxigénio diminui e este é libertado mais facilmente para os tecidos!

Esta adaptação, demora cerca de alguns dias e pode durar alguns dias após a exposição a altas altitudes... Dessa forma, quando o atleta for competir muitos poucos dias depois, a libertação de oxigénio continua a ser muito mais eficiente e a prova corre muito melhor! Menos fadiga, etc. 

 

Para além disso, sabe-se que a exposição durar algumas semanas, pode até ocorrer um aumento do número de eritrócitos! 

 

Percebes agora o porquê destes treinos em altitudes?

 

Para dúvidas, não hesites em deixar mensagem :)

 

 

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